"Criar é, basicamente, formar. É poder dar uma forma a algo novo. Em qualquer que seja o campo de atividade, trata-se, nesse 'novo', de novas coerências que se estabelecem para a mente humana, fenômenos relacionados de modo novo e compreendidos em termos novos. O ato criador abrange, portanto, a capacidade de compreender; e esta, por sua vez, a de relacionar, ordenar, configurar, significar."(pg. 09)
"Nós nos movemos entre formas. Um ato tão corriqueiro como atravessar a rua - é impregnado de formas. Observar as pessoas e as casas, notar a claridade do dia, o calor, reflexos, cores, sons, cheiros, lembrar-se do que se tencionava fazer, de compromissos a cumprir, gostando ou detestando o precioso instante e ainda associando-o a outros - tudo isto são formas em que as coisas se configuram para nós. " (pg. 09)
"As formas de percepção não são gratuitas nem os relacionamentos se estabelecem ao acaso. Ainda que talvez a lógica de seu desdobramento nos escape, sentimos perfeitamente que há um nexo. Sentimos, também, que de certo modo somos nós o ponto focal de referência, pois ao relacionarmos os fenômenos nós os ligamos entre si e os vinculamos a nós mesmos. Sem nos darmos conta, nós o orientamos de acordo com expectativas, desejos, medos, e sobretudo de acordo com uma atitude do nosso ser mais íntimo, uma ordenação interior. Em cada ato nosso, no exercê-lo, no compreendê-lo e nos compreender-nos dentro dele, transparece a projeção de nossa ordem interior. Constitui uma maneira específica de focalizar e de interpretar os fenômenos, sempre em busca de significados." (pg. 09)
"Sem nos darmos conta, nós o orientamos de acordo com expectativas, desejos, medos, e sobretudo de acordo com uma atitude do nosso ser mais íntimo, uma ordenação interior." (pg. 09)
"Impelido, como ser consciente, a compreender a vida, o homem é impelido a formar." (pg. 09)
"Os processos de criação ocorrem no âmbito da intuição (...) Intuitivos, esses processos se tornam conscientes na medida em que são expressos, isto é, na medida em que lhes damos uma forma." (pg. 10)
"A percepção de si mesmo dentro do agir é um aspecto relevante que distingue a criatividade humana (...) Para tanto, a percepção consciente na ação humana se nos afigura como uma premissa básica da criação, pois além de resolver situações imediatas o homem é capaz de a elas se antecipar mentalmente." (pg. 10)
"Daí podermos falar da 'intencionalidade' da ação humana. Mais do que um simples ato proposital, o ato intencional pressupõe existir uma mobilização interior, não necessariamente consciente, que é orientada para determinada finalidade antes mesmo de existir a situação concreta para a qual a ação seja solicitada." (pg. 10)
"O ato criador não nos parece existir antes ou fora do ato intencional, nem haveria condições, fora da intencionalidade, de se avaliar situações novas ou buscar novas coerências." (pg. 11)
ser consciente/sensível/cultural.
"No curso evolutivo da humanidade, segundo a pesquisa moderna talvez um milhão de anos antes de surgir o HOMO SAPIENS, depara-se com espécies a caminho da humanização. Os chamados 'homínidas' deixaram vestígios que permitem inferir uma existência já de certo modo consciente/sensível/cultural" (pg. 11)
"(...) E mais, entendemos que precisamente na integração do consciente, do sensível e do cultural se baseiam os comportamentos criativos do homem (...) Somente ante o ato intencional, isto é, ante a ação de um ser consciente, faz sentido falar-se de criação. Sem a consciência, prescinde-se tanto do imaginativo na ação, quanto do fato da ação criativa alterar os comportamentos do próprio ser que agiu." (pg. 11)*
* fala-se de ato criador e criação. Enquanto que o ato criador se faz na intencionalidade da ação, conscientemente, a criação se dá antes dessa intenção consciente.
"(...) Quer dizer, a consciência e a sensibilidade das pessoas fazem parte de sua herança biológica, são qualidades comportamentais inatas, ao passo que a cultura representa o desenvolvimento social do homem." (pg. 11)
"O potencial consciente e sensível de cada um, se realizar sempre e unicamente dentro de formas culturais." (pg. 11)
"Assim, ao abordarmos em seguida alguns aspectos do ser consciente/sensível/cultural, queremos deixar bem claro que o nosso enfoque continua sendo a cultura. Importa-nos mostrar como a cultura serve de referência a tudo o que o indivíduo é, faz, comunica, à elaboração de novas atitudes e novos comportamentos e, naturalmente, a toda possível criação." (pg. 12)
ser sensível.
"Inata ou até mesmo inerente à constituição do homem, a sensibilidade não é peculiar somente a artistas ou alguns poucos privilegiados. Em si, ela é patrimônio de todos os seres humanos. Ainda que em diferentes graus ou talvez em áreas sensíveis diferentes, todo ser humano que nasce, nasce com um potencial de sensibilidade" (pg. 12)
"(...) Representa uma abertura constante ao mundo e nos liga de modo imediato ao acontecer em torno de nós. Na verdade, esse fenômeno não ocorre unicamente com o ser humano. É essencial a qualquer forma de vida e inerente à própria condição de vida." (pg. 12)
"(...) Uma outra parte, porém, também participando do sensório, chega ao nosso consciente. Ela chega de modo articulado, isto é, chega em formas organizadas. É a nossa percepção. Abrange o ser intelectual, pois a percepção é a elaboração mental das sensações." (pg. 12)
"Nessa ordenação de dados sensíveis estruturam-se os níveis do consciente; ela permite que, ao apreender o mundo, o homem apreenda também o próprio ato da apreensão; permite que, apreendendo, o homem compreenda." (pg. 13)
"(...) Dentro do vasto campo da sensibilidade é, portanto, à percepção a que nos referimos neste livro." (pg. 13)
ser cultural.
"Segundo os conhecimentos atuais a respeito do passado, o homem surge na história como um ser cultural. Ao agir, ele age culturalmente, apoiado na cultura e dentro de uma cultura." (pg. 13)
"Procuramos definir aqui o que entendemos por cultura: são as formas materiais e espirituais com que os indivíduos de um grupo convivem, nas quais atuam e se comunicam e cuja experiência coletiva pode ser transmitida através de vias simbólicas para a geração seguinte." (pg. 13)
"Embora não se saiba quais foram as formas de convívio coletivo inicialmente, entende-se hoje que os comportamentos dos homínidas devem ser considerados culturais (...) existem provas irrefutáveis de seres de percepção consciente e de vida cultural: as pedras lascadas." (pg. 13)
"E mais adiante, comentando sobre a diferença fundamental que existe entre usar ferramentas e poder manufaturá-las, ele diz: "fazer qualquer ferramenta, mesmo nas sociedades humanas mais primitivas, baseia-se num conhecimento preciso da matéria-prima e, dentro dos limites tecnológicos, em conhecimentos de como manuseá-los mais eficientemente. Ademais, é característico dos seres humanos terem uma apreciação muito maior do fator tempo do que outros primatas; em suas tradições orais, usam as memórias do passado, as quais lhes servem como uma espécie de capital cultural." (pg. 14)
"Os homínidas deviam poder comunicar suas experiências. Por meios rudimentares que fosse, em parte imitativos talvez, deviam ter mostrado aos jovens quais as pedras que serviam, como lascá-las e como caçar. Sua sobrevivência dependia disso (...) no homem, a biologia tornou-se inseparável da cultura, uma vez que nossos ancestrais começaram a usar ferramentas. A partir de então, a seleção natural favoreceu aqueles que puderam usar a cultura em seu melhor benefício." (pg. 14)
"(...) no homem, a biologia tornou-se inseparável da cultura, uma vez que nossos ancestrais começaram a usar ferramentas. A partir de então, a seleção natural favoreceu aqueles que puderam usar a cultura em seu melhor benefício." (pg. 16)
ser consciente.
"Ao se tornar consciente de sua existência individual, o homem não deixa de conscientizar-se também de sua existência social, ainda que esse processo não seja vivido de forma intelectual (...) Representando a individualidade subjetiva de cada um, a consciência representa a sua cultura." (pg. 16)
"(...) essas visões diferentes de um mesmo fenômeno natural são também as diversas formas expressivas por que o fenômeno chega ao consciente dos indivíduos." (pg. 17)
"Nos processos de conscientização do indivíduo, a cultura influencia também a visão de vida de cada um. Orientando seus interesses e suas íntimas aspirações, suas necessidades de afirmação, propondo possíveis ou desejáveis formas de participação social, objetivos e ideais, a cultura orienta o ser sensível ao mesmo tempo que orienta o ser consciente. Com isso, a sensibilidade do indivíduo é aculturada* e por sua vez orienta o fazer e o imaginar individual. Culturalmente seletiva, a sensibilidade guia o indivíduo nas considerações do que para ele seria importante ou necessário para alcançar certas metas de vida." (pg. 17)
aculturada* = Quem adquiriu conhecimento de uma outra cultura, ampliou seus conhecimentos.
"(...) Nessa integração que se dá de potencialidades individuais com possibilidades culturais, a criatividade não seria senão a própria sensibilidade. O criativo do homem se daria ao nível do sensível." (pg. 17)
"Acrescentamos ainda que, como fenômeno social, a sensibilidade se converteria em criatividade ao ligar-se estreitamente a uma atividade social significativa para o indivíduo. No enfoque simultâneo do consciente, cultural e sensível, qualquer atividade em si poderia tornar-se um criar." (pg. 17)
Criar é formar. O ser humano é um indivíduo em constante diálogo com o meio ambiente, com a sociedade em sua volta. Portanto, ele já nasce um ser cultural. Essa aculturação orienta sua sensibilidade e sua consciência em nível individual/social. Consequentemente, o indivíduo é um ser cultural/sensível/consciente, onde a percepção ou a tomada de consciência sensorial é a responsável pelo ato criador. É na percepção da sensibilidade que se dá o processo criativo, através de ações intencionais, com intuitos de transformação. No entanto, diferente do ato criador, a criação se dá no inconsciente.
memória.
"Em nosso consciente destaca-se o papel desempenhado pela memória. Ao homem torna-se possível interligar o ontem ao amanhã" (pg. 18)
"As intenções se estruturam junto com a memória. São importantes para o criar. Nem sempre serão conscientes nem, necessariamente, precisam equacionar-se com objetivos imediatos. Fazem-se conhecer, no curso, das ações, como uma espécie de guia aceitando ou rejeitando certas opções e sugestões contidas no ambiente. Às vezes, descobrimos as nossas intenções só depois de realizada a ação. (Lembramos, como exemplo, que certos erros, talvez até fracassos, mais tarde podem revelar-se para nós em suas dimensões verdadeiras, como intenções produtivas ou mesmo criativas.)" (pg. 18)
"Evocando um ontem e projetando-o sobre o amanhã, o homem dispõe em sua memória de um instrumental para, a tempos vários, integrar experiências já feitas com novas experiências que pretende fazer." (pg. 18)
"(...) A consciência se amplia para as mais complexas formas de inteligência associativa, empreendendo seus vôos através de espaços em crescente desdobramento, pelos múltiplos e concomitantes passados/presentes/futuros que se mobilizam em cada uma de nossas vivências." (pg. 19)
"(...) De um ponto de vista operacional, à memória corresponderia uma retenção de dados já interligados em conteúdos vivenciais. Assim, circunstâncias novas e por vezes dissimilares poderiam reavivar um conteúdo anterior, se existirem fatores em relacionamentos análogos ao da situação original." (pg. 19)
"(...) Em nossa experiência vivencial estruturam-se configurações de vida interior, formas psíquicas, que surgem em determinados momentos e sob determinadas condições, e são lembradas, 'percebidas' em configurações. De modo similar ao da percepção, pelos processos ordenadores da memória, articulam-se limites entre o que lembramos, pensamos, imaginamos, e a infinidade de incidentes que se passaram em nossa vida. De fato, se não houvesse essa possibilidade de ordenação, se viessem anarquicamente à tona todos os dados da memória, seria impossível pensarmos ou estabelecermos qualquer tipo de relacionamento. Seria impossível funcionarmos mentalmente." (pg. 19)
Ela fala que a memória é factual e não um conteúdo geral. Existem limites entre o que pensamos e imaginamos, por exemplo. Acredito que se assim não fosse, confundiríamos a realidade de forma a não conseguirmos nos relacionarmos como a autora defende.
associações.
"Provindo de áreas inconscientes do nosso ser, ou talvez pré-conscientes, as associações compõem a essência de nosso mundo imaginativo. São correspondências, conjeturas evocadas à base de semelhanças, ressonâncias íntimas em cada um de nós com experiências anteriores e com todo um sentimento de vida." (pg. 20)
"Espontâneas, as associações afluem em nossa mente com uma velocidade extraordinária. São tão velozes que não se pode fazer um controle consciente delas. às vezes, ao querer detê-las, elas já se nos escaparam. Embora as associações nos venham com tanta insistência que talvez possam tender para o difuso, estabelecem-se determinadas combinações, interligando-se ideias e sentimentos. De pronto as reconhecemos como nossas, como sendo de ordem pessoal. Sentimos que, por mais inesperadas que sejam, as constelações associativas condizem com o que, individualmente, seria um padrão de comportamento específico nosso face a ocorrências que nos envolvam. Apesar de espontâneo, há mais do que certa coincidência no associar. Há coerência." (pg. 20)
falar, simbolizar.
"Grande parte das associações liga-se à fala, nela submerge e com ela se funde, pois muito do que imaginamos é verbal, ou torna-se verbal, traduz-se em nosso consciente por meio de palavras. Pensamos através de fala silenciosa." (pg. 20)
"Realmente pensa-se falando. Mas o pensar e o falar só se tornam possíveis dentro do quadro de ideias de uma língua. (...) Assim cada um de nós pensa e imagina dentro dos termos de sua língua, isto é, dentro das propostas de suas culturas (...) A fala se articula, portanto, no uso concreto da língua, uso sempre parcial porque adequado à área vivencial do indivíduo." (pg. 21)
"(...) Quando ditas, as coisas se tornam presentes para nós. Não os próprios fenômenos físicos que, naturalmente, continuam pertencendo ao domínio físico; torna-se presente a noção dos fenômenos (...) A palavra evoca o objeto por intermédio de sua noção. Entretanto, qualquer noção já surge em nossa consciência carregada de certos conteúdos valorativos, pois, como todo agir do homem, também o falar não é neutro, não se isenta de valores." (pg. 21)
"As palavras representam unidades de significação (...) Entre outros, podem funcionar como signos e símbolos. Nos relacionamentos semânticos, o signo se coloca anterior ao símbolo, cujo desdobramento associativo permanece em aberto. O signo aponta simultaneamente para dois planos da palavra, planos entre si diversos: para o seu aspecto sensorial, oral ou visual, isto é, para os sons ou a escrita ou a imagem de uma palavra (que a linguística denomina de significante), e para sua noção, isto é, para um conteúdo convencionado (na linguística, significado). Por exemplo: MÃO - sons articulados, e MÃO - objeto indicado pelos sons. Assim relacionada, numa relação que sempre é codificada e fixa a partir de quem a usa, indivíduo ou sociedade, a palavra desempenha a função de um signo. Quando, porém, o conteúdo é tomado numa dimensão mais ampla da generalização, quando no particular se entende também o universal, quando o conteúdo se desdobra por meio de noções associativas, as palavras funcionam como símbolos. O rapaz, pedindo a MÃO da moça, a pediria em casamento." (pg. 21)
"Na percepção de si mesmo o homem pode distanciar-se dentro de si e imaginativamente colocar-se no lugar de outra pessoa. Em virtude do distanciamento interior, a expressão de sensações pode transformar-se na comunicação de conteúdos subjetivos. O homem pode falar com emoção, mas ele pode falar também sobre as suas emoções. estende a comunicabilidade a conteúdos intelectuais. Ele pensa e pode falar sobre os seus pensamentos. Refletindo a respeito dos dados perceptivos do mundo, o homem pode formular ideias e hipóteses de crescente complexidade intelectual e comunica-las aos outros como propostas de futuras atividades." (pg. 22)
"(...) Mas o homem é capaz de conceber os componentes de uma experiência. Destacados de um todo, os múltiplos componentes expressivos podem ser parcelados, podem ser codificados individualmente e podem ser recombinados para formarem outras totalidades. Neles, os mesmos componentes individuais configuram novos conteúdos. veja-se como palavras idênticas podem entrar no vocabulário de pessoas diversas e, cada vez, transmitir conteúdos vivenciais diferentes." (pg. 23)
"(...) Por isso, ainda que a capacidade de falar e de simbolizar seja um potencial inato, o aprendizado da fala implica um aprendizado cultural; o potencial natural da língua, cada indivíduo o realiza num dado contexto cultural. Molda sua experiência pessoal nas relações culturais possíveis. As formas concretas da fala poderão então variar até de geração para geração porque talvez sejam outras as relações culturais." (pgs. 23/24)
formas simbólicas e ordenações interiores.
"(...) Existem, na faixa de mediação significativa entre nosso mundo interno e o externo, outras linguagens além da verbais. Diríamos que, ao simbolizarem, as palavras caracterizam uma via conceitual. Essencialmente, porém, no cerne da criação está a nossa capacidade de nos comunicarmos por meio de ordenações, isto é, através de FORMAS." (pg. 24)
"No que o homem faz, imagina, compreende, ele o faz ordenando." (pg.24)
"Se a fala representa um modo de ordenar, o comportamento também é ordenação." (pg. 24)
"O aspecto relevante a ser considerado aqui é que, por meio de ordenações, se objetiva um conteúdo expressivo. A forma converte a expressão subjetiva em comunicação objetivada. Por isso, o formar, o criar, é sempre um ordenar e comunicar." (pg. 24)
"(...) Mas somente quando na forma se estruturam aspectos de espaço e tempo, mais do que assinalar o evento, poderá a mensagem adquirir as qualificações de FORMA SIMBÓLICA". (pg. 25)
"É em termos, espaciais e temporais, ou seja, em termos de um movimento interior, que avaliamos a percepção de nós mesmos e nossa experiência do viver - não há outro modo de configurá-las em nós e trazê-las ao nosso consciente. Por isto, as categorias de espaço e tempo são indispensáveis para a simbolização. Na maneira de se corresponderem o DESENVOLVIMENTO FORMAL e QUALIDADES VIVENCIAIS, concretiza-se o conteúdo expressivo da forma simbólica." (pg. 25)
potencial criador.
"O potencial criador é um fenômeno de ordem mais geral, menos específica do que os processos de criação através dos quais o potencial se realiza." (pg. 26)
"Temos de levar em conta que uma realidade configurada exclui outras realidades, pelo menos em tempo e nível idênticos. É nesse sentido, mas só e unicamente nesse, que, no formar, todo construir é um destruir. Tudo o que num dado momento se ordena, afasta por aquele momento o resto do acontecer. É um aspecto inevitável que acompanha o criar e, apesar de seu caráter delimitador, não deveríamos ter dificuldades em apreciar suas qualificações dinâmicas. Já nos prenuncia o problema da liberdade e dos limites." (pg. 26)
tensão psíquica.
"A título de análise formulamos aqui, sob o termo 'tensão psíquica', uma noção de renovação constante do potencial criador. É um aspecto a nosso ver, relevante para a criação." (pg. 27)
"É possível, também, que similar ao tônus físico, teríamos uma espécie de tônus psíquico, uma vitalidade elementar psíquica como condição ativa preexistente ao agir e indispensável a ele, e passível de intensificação." (pg. 27)
"Mencionamos uma das teorias psicanalíticas, que tem a agressividade como mola motriz dos processos criativos (...) Essa energia, quando canalizada e elaborada para fins construtivos, através de processos de sublimação, forneceria o potencial criador. Quando frustrada, a energia se converteria em violência, isto é, em destruição." (pg. 27)
(...) Mais fundamental e gratificante, sobretudo para o indivíduo que está criando, é o sentimento concomitante de reestruturação, de enriquecimento da própria produtividade, de maior amplitude do ser, que se libera no ato de criar. Menos a potência descarregada, do que a potência renovada." (pg. 28)
"(...) Criar não representa um relaxamento ou um esvaziamento pessoal, nem uma substituição imaginativa da realidade; criar representa uma intensificação do viver, um vivenciar-se no fazer; e, em vez de substituir a realidade, é a realidade." (pg. 28)
"Não acreditamos que seja o conflito emocional o portador da criatividade. O que o conflito faria, dada sua área e sua configuração particular em cada caso, ao intervir na produtividade de um artista, seria eventualmente propor a temática significativa por ser ela tão imediata e relevante para a pessoa (...) Mas o conflito pessoal não poderá em si ser confundido nem com o potencial criador existente na pessoa, nem com a capacidade de elaborar criativamente um conteúdo. Ao contrário. O quanto existe de elaboração visível na obra artística, nos indica exatamente a medida de controle que o artista ainda pôde exercer sobre o seu conflito." (pg. 29)
"Um último problema a se considerar aqui é que, do momento que exista no indivíduo um determinado potencial, surge para esse indivíduo, como necessidade interior, a necessidade de exercer seu potencial e de realizá-lo em sentido criativo. Podendo realizá-lo, o indivíduo se realizaria; sua vida se tornaria mais rica e significativa." (pg. 30)
tensão psíquica.
"A título de análise formulamos aqui, sob o termo 'tensão psíquica', uma noção de renovação constante do potencial criador. É um aspecto a nosso ver, relevante para a criação." (pg. 27)
"É possível, também, que similar ao tônus físico, teríamos uma espécie de tônus psíquico, uma vitalidade elementar psíquica como condição ativa preexistente ao agir e indispensável a ele, e passível de intensificação." (pg. 27)
"Mencionamos uma das teorias psicanalíticas, que tem a agressividade como mola motriz dos processos criativos (...) Essa energia, quando canalizada e elaborada para fins construtivos, através de processos de sublimação, forneceria o potencial criador. Quando frustrada, a energia se converteria em violência, isto é, em destruição." (pg. 27)
(...) Mais fundamental e gratificante, sobretudo para o indivíduo que está criando, é o sentimento concomitante de reestruturação, de enriquecimento da própria produtividade, de maior amplitude do ser, que se libera no ato de criar. Menos a potência descarregada, do que a potência renovada." (pg. 28)
"(...) Criar não representa um relaxamento ou um esvaziamento pessoal, nem uma substituição imaginativa da realidade; criar representa uma intensificação do viver, um vivenciar-se no fazer; e, em vez de substituir a realidade, é a realidade." (pg. 28)
"Não acreditamos que seja o conflito emocional o portador da criatividade. O que o conflito faria, dada sua área e sua configuração particular em cada caso, ao intervir na produtividade de um artista, seria eventualmente propor a temática significativa por ser ela tão imediata e relevante para a pessoa (...) Mas o conflito pessoal não poderá em si ser confundido nem com o potencial criador existente na pessoa, nem com a capacidade de elaborar criativamente um conteúdo. Ao contrário. O quanto existe de elaboração visível na obra artística, nos indica exatamente a medida de controle que o artista ainda pôde exercer sobre o seu conflito." (pg. 29)
"Um último problema a se considerar aqui é que, do momento que exista no indivíduo um determinado potencial, surge para esse indivíduo, como necessidade interior, a necessidade de exercer seu potencial e de realizá-lo em sentido criativo. Podendo realizá-lo, o indivíduo se realizaria; sua vida se tornaria mais rica e significativa." (pg. 30)
RESUMO
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