domingo, 13 de abril de 2014

Capítulo 3 / CAMINHOS INTUITIVOS E INSPIRAÇÃO. "Criatividade e processos de criação.", de Fayga Ostrower.

processos intuitivos.

"(...) Se decerto não cabe negligenciar as várias contribuições específicas nos processos criativos, tampouco cabe atribuir função predominante seja ao inconsciente seja ao consciente. O ato criador, sempre ato de integração, adquire seu significado pleno só quando entendido globalmente." (pg. 56)

"Assim como o próprio viver, o criar é um processo existencial. Não abrange apenas pensamentos nem apenas emoções. Nossa experiência e nossa capacidade de configurar formas e de discernir símbolos e significados se originam nas regiões mais fundas de nosso mundo interior, do sensório e da afetividade, onde a emoção permeia os pensamentos ao mesmo tempo que o intelecto estrutura as emoções. São níveis contínuos e integrantes em que fluem as divisas entre consciente e inconsciente e onde desde cedo em nossa vida se formulam os modos da própria percepção. São os níveis intuitivos do nosso ser." (pg. 56)

"Convém notar que o intuitivo não se confunde com o instintivo. São essencialmente diferentes." (pg. 56)

"(...) Concebe-se, como herança genética do homem, certas tendências instintivas, predisposições, cuja fixação e codificação se estabelecem dentro dos contextos culturais em que se desenvolve o indivíduo." (pg. 56)

"A intuição vem a ser dos mais importantes modos cognitivos do homem. Ao contrário do instinto, permite-lhe lidar com situações novas e inesperadas." (pg. 56)

"A ação espontânea intuitiva não é um ato reflexo ante um acontecimento, embora eventualmente inclua atos reflexos. Cabe ver, nessa ação intuitiva, mais do que a reação de um organismo humano: ela é reação de uma personalidade humana; e mais do que uma reação, ela é sempre uma ação. A ação humana encerra formas comunicativas que são pessoais e ao mesmo tempo são referidas à cultura." (pg. 56)

"A intuição está na base dos processos de criação." (pg. 56)

ordenações perceptivas.

"O que caracteriza os processos intuitivos e os torna expressivos é a qualidade nova da percepção. É a maneira pela qual a intuição se interliga com os processos de percepção e nessa interligação reformula os dados circunstanciais, do mundo externo e interno, a um novo grau de essencialidade estrutural, de dados circunstanciais tornam-se dados significativos." (pg. 57)

"Enquanto identificamos algo, algo também se esclarece para nós e em nós; algo se estrutura. Ganhamos um conhecimento ativo e de auto-cognição, uma noção que, ao identificar as coisas, ultrapassa a mera identificação. Em qualquer situação em que nos encontremos, por exemplo, haverão de surgir inúmeros dados, dos quais alguns talvez já nos sejam familiares, outros novos, alguns talvez desconexos e outros até mesmo insólitos. No entanto, de modo aparentemente misterioso, de pronto os unimos. Os dados serão vistos em conjunto, pertencentes à situação à qual também nós pertencemos. E, em conjunto, serão interligados e avaliados: os dados, as várias ligações conosco, bem como as ligações entre ligações. Serão percebidos como a trama de um evento em cuja ordenação interior compreendemos consistir o conteúdo da situação." (pg. 57)

"(...) Esses relacionamentos mentais refletem mais do que apenas associações. Não há dúvida de que o fenômeno associativo sempre existe, porquanto em qualquer acontecimento de pronto se desencadeia em nossa mente uma série de ideias e emoções como parte integrante do nosso pensar. Contudo, o próprio ato de apreender as associações, no instante em que se dá a apreensão de um evento, também ocorre como um processo ordenado. Por isso conseguimos perceber as associações." (pg. 58)

"(...) o perceber é um estruturar que imediatamente se converte em estrutura. É um perene formar de formas significativas." (pg. 58)

imagens referenciais.

"Desde cedo, organizam-se em nossa mente certas imagens." (pg. 58)

"As disposições, imagens da percepção, compõem-se, a rigor, em grande parte de valores culturais. Constituem-se em ordenações 'características' e passam a ser normativas, qualificando a maneira por que novas situações serão vivenciadas pelo indivíduo." (pg. 58)

"Na última subcena, numa sequência de comportamentos assinalados como 'corretos', um operário é representado recebendo seu salário com uma das mãos. Para o operário negro na África do Sul, esse gesto tem conotações opostas. É costume receber coisas com as duas mãos, e dar com uma mão. Assim, a moral da história foi obscurecida por um lapso acidental, já que, no cartaz, o receptor do salário era visto, não como recebendo uma recompensa pelo trabalho bem feito, mas, ao contrário, como doador de dinheiro." (pg. 59)

"Essas interpretações não se devem à mera ignorância. Devem-se ao fato de a imagem dos cartazes, tanto nas situações representadas como na maneira de representá-las, não se identificar com imagens referenciais que fossem vigentes para o negro sul-africano. Suas imagens referenciais estabelecem outras conotações para determinados gestos, para cores, até mesmo para as situações em si. Envolvem também outro tipo de raciocínio. Outro esquema de valores." (pg. 60)

"(...) Naturalmente, isso não significa que, embora funcionando como visão referencial, ela se cristaliza logo a ponto de não poder ser subsequentemente elaborada; dependerá do indivíduo e dependerá de como a cultura formula suas normas e suas aspirações." (pg. 60)

constância de imagens.

"A imagem referencial liga-se a um fenômeno de percepção que ainda é pouco elucidado, mas cuja importância é indiscutível, tanto para as ordenações que fazemos, como para o sentido que as formas tem para nós. Trata-se do fenômeno da constância." (pg. 61)

"O olho como órgão receptor pode ser comparado a uma câmara fotográfica. Essa analogia se desfaz imediatamente quando analisamos o processo global de visão. A diferença maior é a do fenômeno da CONSTÂNCIA. Numa película, assim como também na retina, os objetos se registram de acordo com o ângulo em que aparecem no campo visual. Então, um objeto do dobro de seu tamanho normal a uma distância dupla, não se registraria diferente do mesmo objeto em tamanho normal e localizado no primeiro plano. Um homem que avança para nós se transformaria de um anão em um gigante. Nada disso, porém, acontece." (pg. 62)

"O fato é que, embora pelo fenômeno da constância em nossa vista se nivelem inúmeras diferenciações, somos capazes de discernir essas diferenciações junto com o nivelamento. Fazemos ambas as operações ao mesmo tempo. Olhando, de um modo geral não nos enganamos a respeito do homem que em nosso campo visual avança e, por outro, igualmente distinguimos entre um anão que porventura se encontre a um plano próximo e uma pessoa de altura normal a certa distância." (pg. 62)

"A partir dos diversos fatores que interagem na percepção e mutuamente se influenciam - a imagem referencial, a constância de imagem com os nivelamentos e as simultâneas diferenciações - não somente cada imagem visual surge de início imbuída de significados, como também surge imbuída de valorações." (pg. 64)

"O fato de valorações acompanharem toda forma que percebemos e toda forma que criamos, é, na verdade, um fato inevitável. Ainda que talvez não a conscientizemos, representa uma atitude elementar de avaliação que está presente em cada instante de nossa vida. A essa atitude elementar se prende, por exemplo, o problema, no século passado, de, ao ver a obra dos pintores impressionistas, o público ter-se chocado tão fortemente. No entanto, o que haveria de tão chocante?" (pg. 64)

"(...) Quando pintavam em seus quadros a cor de um rosto, usavam múltiplos tons de azul, amarelos, verdes, vermelhos, laranja, roxo. Entretanto, embora os tons fossem observados no modelo, e provavelmente muito bem observados, não era possível ligá-los à imagem referencial da pele humana nem decorriam do nivelamento de dados que se dá na constância da percepção (...) O rompimento de uma valorização cultural foi a razão principal de tamanha hostilidade." (pg. 64)

"Sem dúvidas, porém, o Impressionismo criou um novo tipo de codificação. Nova imagem referencial com valorações novas, uma maneira de ver as coisas que agora, para a maioria das pessoas, já se tornou inteiramente familiar." (pg. 65)

seletividade.

"(...) Integrando-se às imagens referenciais, os fenômenos novos podem surgir para nós em contextos já parcialmente assimilados e já se encaminhando-se a eventuais significados; por mais inesperados que sejam esses fenômenos, eles nunca seriam desligados. É importante que assim aconteça. Encontrássemos aspectos sempre insólitos ao redor de nós, aspectos não-relacionados ou não-relacionáveis em contextos, a todo momento estaríamos inundados de informações estranhas. Estaríamos perdidos diante de eventos que se sucedem e que seriam irreconhecíveis na vasta complexidade de seus detalhes incidentais. Seriam, para nós, eventos deveras incontroláveis." (pg. 66)

"(...) Com efeito, a seletividade representa um processo de economia, pois a nossa tendência é inteirar-nos daquilo que nos seria suficiente para resolver uma situação ou tarefa em que estejamos interessados. Resolvê-la e torná-la significativa para nós. O resto dos eventos 'foge' à nossa atenção." (pg. 66)

"(...) A criatividade se vincula, sem dúvida, à nossa capacidade de seletivamente intuir a coerência dos fenômenos e de conseguir formular, sobre aquelas coerências, situações que em si sejam novamente coerentes." (pg. 66)

insight.

"Do mesmo modo que a percepção, a intuição é um processo dinâmico e ativo, uma participação atuante no meio ambiente. É um sair-de-si e um captar, uma busca de conteúdos significativos. Os processos de perceber e intuir são processos afins, tanto assim que não só o intuir está ligado ao perceber, como o próprio perceber talvez não seja senão um contínuo intuir." (pg. 66)

"(...) Igualmente em todo ato intuitivo ocorrem operações mentais instantâneas de diferenciação e de nivelamento, e outras ainda, de comparação, de construção de alternativas e de conclusão; essas operações envolvem o relacionamento e a escolha, na maioria das vezes subconsciente, de determinados aspectos entre os muitos que existem numa situação (...) Parte-se, no fundo, de uma ordem já existente para se encontrar outra ordem semelhante, uma vez que se indaga sobre os acontecimentos segundo um prisma interior, uma atitude, por mais aberta que seja, já orientada e, portanto, orientadora. Nessas ordenações, certos aspectos são intuitivamente incluídos como 'relevantes', enquanto outros são excluídos como 'irrelevantes'. Selecionados pela importância que tem para nós, os aspectos são configurados em uma forma. Nela adquirirão um sentido talvez inteiramente novo." (pg. 66/67)

"As conclusões muitas vezes nos surpreendem como um resultado original. O seu sentido novo pode até mesmo ser inesperado e, no entanto, formula uma visão de certo modo pressentida. Confirma essa visão. Sentimos que a ordenação concreta a que chegamos abrange a razão de ser da situação, abrange toda sua lógica íntima, o verdadeiro sentido. É o insight, a visão intuitiva. Sabemos de repente, temos inteira certeza, que desde o início era esse o seu significado." (pg. 67)

"(...) pois no insight estruturam-se todas as possibilidades que um indivíduo tenha de pensar e sentir, integrando-se noções atuais com anteriores e projetando-se em conhecimentos novos, imbuída a experiência de toda carga afetiva possível à personalidade do indivíduo." (pg. 67)

"(...) As memórias de situações anteriores já vividas servem de referencial aos dados novos (...) Sempre nos reencontramos e nos reconhecemos." (pg. 67)

"(...) Em situações difíceis de nossa vida pode dar-se em nós esse tipo de reestruturação de dados, produzindo nova medida de ordem e permitindo-nos novamente compreender e controlar a situação." (pg. 68)

intuição, forma.

"Intuindo, usamos um modo não-verbal, não conceitual (...) Os processos intuitivos se identificam com a forma, ou, ainda, os processos criadores são essencialmente processos formativos, processos configuradores. Ainda que se configurem palavras ou pensamentos, é preciso distinguir entre os componentes do processo e o processo em si; os componentes podem ser de ordem verbal ou conceitual, mas o processo criativo intuitivo é sempre de ordem formal." (pg. 68)

"(...) Qualquer conceito é, portanto, uma forma face à sua estrutura (...) o conceito é referido ao nosso sensório e é também interpretado por nós em termos sensoriais (...) Nesse sentido, o conceito é uma forma (...) A forma nunca é um conceito. A forma se caracteriza por sua natureza sensorial." (pg. 69)

"(...) Os processos intuitivos ocorrem de modo não-conceitual, são processos de forma. Quando se intui, intui-se uma forma expressiva, isto é, não se trata de definir um fenômeno por meio de noções intelectuais (...) Ao intuir, procura-se alcançar um novo modo de ser essencial do fenômeno, através de estruturas que se configuram dentro da materialidade específica desse fenômeno (...) Nesse preciso sentido, a forma não traduz, ela é; ela capta o mais exclusivo do fenômeno porque jamais se desvincula da matéria em questão." (pg. 69)

formar, fazer.

"(...) Formar é mesmo fazer. É experimentar. É lidar com alguma materialidade e, ao experimentá-la, é configurá-la (...) Sem a configuração dos meios não se realiza o conteúdo significativo." (pg. 69)

"(...) Na arte conceitual não existe o fazer concreto, não existe a forma dada a uma matéria, por serem considerados 'supérfluos' à obra." (pg. 69)

"(...) Não é apenas a ação artística que na visão da arte conceitual seria supérflua; a ação humana, como ação, é exonerada de sentido. Consequentemente, o que esta ao homem é ter intenções, vontades, ideias - não sendo necessário executá-las. Esvazia-se o homem existencialmente. E, também se o aliena do seu poder, considerado dispensável e insignificante, de participar, através do trabalho como experiência vital, direta e ativamente das transformações sociais e culturais e da natureza da vida em geral." (pg. 70)

elaboração.

"(...) O caminho em toda tarefa será novo e necessariamente diferente. Ao criar, ao receber sugestões da matéria que está sendo ordenada e se altera sob suas mãos, nesse processo configurador o indivíduo se vê diante de encruzilhadas. A todo instante, ele terá que se perguntar: sim ou não, falta algo, sigo, paro ... Isto ele deduz, e pesa-lhe a validez, eventualmente a partir de noções intelectuais, conhecimentos que já incorporou, contextos familiares à sua mente. Mas, sobretudo, ele decidirá baseando-se numa empatia com a matéria em vias de articulação. procurando conhecer a especificidade do material, procurará também, nas configurações possíveis, alguma que ele sinta como mais significativa em determinado estado de coordenação, de acordo com seu próprio senso de ordenação interior e o próprio equilíbrio. Será uma busca que não se esgota na palavra, por mais lúcida que seja, pois é uma busca que integra formas de ser." (pg. 70/71)

"(...) Vale dizer, então, que a criação exige do indivíduo criador que atue." (pg. 71)

"A atividade criativa consiste em transpor certas possibilidades latentes para o real (...) Nesta mobilização está inserido um senso de responsabilidade. As opções se propõem quase que em termos de princípios, de 'certo ou errado' e, no caso das artes, o quanto custa decidir uma pincelada, a exata tonalidade de uma cor, o peso de uma palavra, uma nota certa, todo artista bem o sabe dentro de si." (pg. 71)

"Quem no entanto, haveria de definir o certo ou o errado? (...) Propondo, optando, prosseguindo, ele parece impulsionado por alguma força interior a induzi-lo e a guiá-lo, como se dentro dele existisse uma bússola. Esta lhe diz: vá adiante, revise, ajunte, tire, acentue, diminua, interrompa!" (pg. 71)

"(...) Somente a própria pessoa pode estabelecê-lo para si, momento crítico este onde o indivíduo sente ter logrado aproximar-se de uma resolução inequívoca, sem reduções e sem redundâncias. A resolução refletirá em tudo seu equilíbrio interno pois a bússola não será senão ele mesmo (...) No processo de trabalho, entre a abertura e o fechamento da obra, o indivíduo se determinou e veio a reconhecer-se. E, se o caminho muitas vezes foi acompanhado de ansiedades, de impaciências e de conflitos interiores que pareciam nunca mais querer resolver-se, vivenciar esse momento de determinação é viver um momento de profunda felicidade." (pg. 72)

inspiração.

"Talvez seja esse momento final o momento de inspiração. é sem dúvida um momento sumamente decisivo e criativo - o desfecho do fazer. Nascido do trabalho, das tentativas que o precederam, das lutas e dos anseios íntimos, o final é indissolúvel dos momentos anteriores porque consequência necessária. Momento inspirado, mostra-nos o quanto os momentos anteriores também foram inspirados; talvez até mesmo certos erros no trabalho foram inspirados." (pg. 72)

"É possível, porém, que o próprio conceito de uma inspiração seja equivocado, e indispensável (...) Podemos entender todo fazer do homem como sendo inspirado se o qualificarmos pelo potencial criador natural, pela inata capacidade de formar e intuir, por sua espontânea compreensão das coisas." (pg. 73)

tensão psíquica.

"(...) Em qualquer campo de criação, o indivíduo teria que ser capaz de sustentar um estado de tensão, de concentração espiritual e emocional, de conscientização de si, de um longo esforço de produção (...) hão de ocorrer os incidentes mais variados, sucessos, fracassos, alegrias, tristezas, amor, nascimentos, mortes (...) Poderão afetar o indivíduo no cotidiano da vida ou até atingi-lo em regiões íntimas do vivenciar, nas aspirações e em sua identidade mesmo. Continuando a trabalhar, o indivíduo recolhe esses múltiplos momentos e os transforma em conteúdos psíquicos, nos conteúdos de sua experiência de vida. Eles talvez venham a ser reconhecíveis em certos detalhes da obra criada, ou talvez se tornem irreconhecíveis, transpostos e absorvidos que foram pela proposta essencial do trabalho." (pg. 74)

"(...) A maior importância, por isso, deve ser dada à qualidade do engajamento interior do indivíduo e à sua capacidade renovadora, isto é, à sua capacidade de se concentrar e de ao retomar o trabalho poder retomar o estado inicial da criação, alcançar e manter a atenção nesse nível profundo de sensibilização (...) Significa reencontrar a tensão dinâmica da intencionalidade, motriz do fazer." (pg. 74)

caminhos.

"Ao retomar a obra em vias de ser criada e, no ato, recuperar todo um clima afetivo e mental, de tensão dirigida, o indivíduo exerce sua seletividade interior. de acordo com sua personalidade, sua estrutura íntima sensível, será o próprio indivíduo a determinar as possibilidades e as formas em que efetua a retomada do trabalho. Será ele, dentro de sua seletividade, a discriminar o caminho, os avanços e os recuos, as opções e as decisões que o levarão a seu destino." (pg. 75)

"Sua orientação interior existe, mas o indivíduo não a conhece. Ela só lhe é revelada ao longo do caminho (...) ao questionar-se, se afirma e se recolhe novamente das profundezas de seu ser. O caminho é um caminho de crescimento." (pg. 76)

"Seu caminho, cada um o terá que descobrir por si. Descobrirá, caminhando. Contudo, jamais seu caminhar será aleatório. Cada um parte de dados reais; apenas, o caminho há de lhe ensinar como os poderá colocar e com eles irá lidar." (pg. 76)


RESUMO

A criatividade se baseia num processo de observação do externo em diálogo com ordenações internas, pessoais.  Neste diálogo, e pelo fato de nossa memória ser 'o orientador' na percepção, apesar de um resultado novo, sentimos que este mesmo resultado era algo esperado por nós, o insight. Durante os processos criativos, o indivíduo passa por emoções como tristezas, alegrias comuns ao ser humano. Cabe à tensão psíquica concentrar o indivíduo em si a fim deste poder sempre retomar o trabalho retomando o estado inicial da criação. Cada cultura traz em si valorações, imagens referenciais - estas são constantes, não se modificam a não ser que o indivíduo aspire essa transformação e revalorização de sua cultura, com a aculturação por exemplo - que povoam as nossas mentes. Isso torna a cultura do nosso planeta uma cultura plural. Aculturar-se é importante no âmbito de ampliação de conhecimentos, consciência e do ser sensível, além de ajudar na comunicação que é o sentido maior da criação. Percebendo essas diferenças, abrimo-nos para o novo. A percepção é o próprio intuir, onde observamos um fenômeno e através destes referenciais pessoais ordenamos, estruturamos as informações selecionadas pelo que mais nos importa. A elaboração seria tal qual uma bússola nos processos criativos que vai guiando o pesquisador/criador a escolher/selecionar através de sua personalidade, caminhos e opções, direcionando sua pesquisa para uma resolução. A maneira como percebemos as situações e os fenômenos variam de indivíduo para indivíduo e, inclusive, variam num mesmo indivíduo levando-se em conta os diferentes momentos em que este mesmo indivíduo se encontra e os torna diferente de si mesmo. Já percebemos estruturando as informações/imagens em ordenações, estruturas possíveis de uma coerência interna a fim de criarmos coerentemente também. O instinto de uma certa forma antecede o fenômeno. O fenômeno quase sempre antecede a intuição a fim de possibilitar a percepção imediata/espontânea. Por isso, intuição e instinto diferem.  Intuir é formar. Conceito é forma, mas o contrário não se dá. Formar é não-verbal, está mais relacionado a signos, configurações de natureza sensorial. É o caminho. Já os componentes em formação podem ser verbais. Formar é fazer, é objetivar, é agir, é concretizar, é transformar-se. A autora cita a 'arte conceitual' como isenta desta responsabilidade de ações com sentido. Esta arte se faz e se desfaz em si mesma, alienando o indivíduo do seu potencial criador e transformador.

Um comentário:

  1. Amigo, tu salvou minha semana, Tinha que fazer um trabalho justamente desse capitulo do livro seu blog me adiantou 99% do que tenho que fazer.

    Valeu e parabéns pelo post.

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